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14 de fevereiro de 2021

Qual é o seu tipo?

Esse é meu tipo, de Simon Garfield. Publicado no Brasil pela Zahar em 2012

Cada vez mais, uma parte considerável de pessoas está aprendendo sobre tipografia por razões diversas. Elas podem não saber a diferença entre a serifa egípcia e a didone, mas estão cada vez mais atentas sobre o tipo de mensagem que querem transmitir e quais tipografias utilizar. Os computadores pessoais são a principal razão para esse interesse. Se Steve Jobs não tivesse gostado de caligrafia enquanto estudava na universidade e não tivesse decidido incluir um menu de fontes no software de computador, talvez não estivéssemos tendo esta conversa.

Esse é o meu tipo, escrito pelo jornalista britânico Simon Garfield, é longe de ser um livro especializado. É, na verdade, um almanaque de curiosidades sobre tipografia e talvez justamente por isso traga uma contribuição importante. O assunto tipografia traz sentimentos conflitantes: ao mesmo tempo que é a base fundamental do nosso trabalho, também é fonte de muita insegurança aos jovens designers. É bastante comum ter o sentimento de estar fascinada pela forma e pequenos detalhes das letras e ao mesmo tempo ter um pânico mortal, como se estivesse pisando em ovos ao ajustar um kerning. 

O valor do livro está em mostrar como um assunto tão específico pode encontrar paralelos na experiência e vivência de mais e mais pessoas. Afinal, não são só os designers que tomam decisões tipográficas diariamente: um post no instagram já nos pergunta como escrever — moderna, neon, typewriter… Como nós, designers, podemos aproximar a tipografia do público leigo? Será que essa é também uma responsabilidade nossa? Como estabelecer um equilíbrio entre o uso de termos técnicos e a tradução para os leigos? Talvez o livro não traga grandes revelações para nós designers, mas, se prestarmos um pouco mais de atenção, é possível perceber que a crônica simples e os casos anedóticos do autor podem nos dar dicas valiosas de como tornar a tipografia um assunto interessante para mais pessoas.

Este texto foi publicado originalmente como leitura complementar do mês de julho de 2020 do Clube do Livro do Design. O Clube, realizado por Tereza Bettinardi, promove debates mensais a partir da literatura do Design.

atua desde 2014 em seu próprio estúdio em São Paulo e tem quase 15 anos de experiência na profissão. Foi professora em diversas instituições de ensino de design e em 2020 fundou o Clube do Livro do Design, projeto que já reuniu mais de 300 participantes.
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